Com fé no amor
e respeito a tudo que não conheço,
eu aprendo.
Me torno cada dia melhor,
é claro que muitas vezes
me esqueço
e me rendo.
Tem vezes que penso
e faço coisas que não gostaria,
muitas vezes esqueço o amor
e o ódio brota do osso,
mas acredito
que cada uma dessas experiências
me afasta de lugares
onde eu nunca deveria estar,
seja uma bela pousada
ou o fundo do poço.
Talvez seja apenas um placebo,
ou talvez pensar assim
me mantenha no jogo.
Certezas de antes
hoje são dúvidas,
e isso parece um ciclo constante,
independente de acertos ou erros.
Já li,
já temi,
e já pensei muito
sobre o que vem depois,
mas para cada segundo
tentando entender
o que não tenho certeza,
muitas vezes perco dois
deixando de viver.
Deixo de ser eu
quando me espelho em você
para ser feliz?
Não sei.
Mas se isso me ajuda a crescer,
talvez exista algo aí.
Posso confiar
na força da sua raiz?
Posso esconder de mim mesmo
algo tão evidente?
E, se posso,
também posso remover?
Estou mais forte
ou apenas doente?
Dizem que não se faz antídoto
sem uma dose de veneno.
Mas será que é mesmo a cura
que eu busco?
Ou estou fugindo
da forma como vivo?
Olhar para dentro dói,
e quase sempre assusta.
Mas ser quem sou
não pode impedir os outros
de serem quem são,
ou tudo que penso, falo
e escrevo sobre amor
perde o sentido.
Todos somos um pouco hipócritas,
ou seremos um dia.
Já existem muitos donos da verdade,
é oferta e procura.
Muito valor,
muito prestígio,
coisas que nem tenho
e que cobrariam caro
por qualquer pequena parte.
Não é esse jogo
que o amor,
e talvez meus próprios placebos,
me fazem jogar.
É tentar ser
mais do que ter,
por escolha.
Não apenas caminhar
por este momento,
mas evitar transformar
qualquer queda
em moradia.
Às vezes faço da queda
uma canção.
Outras vezes,
vejo portas
onde antes só havia paredes.
Acreditar que amor e ódio
não ocupam o mesmo espaço
me liberta.
Onde um está,
o outro se afasta,
e isso, de alguma forma,
guia minhas escolhas,
independente das tentações.
Já experimentei os dois
e sei que ambos movem.
Já admirei o ódio
e sua intensidade,
mas eu era outro,
mais jovem.
Hoje aceito quem sou,
mesmo que doa perceber
que talvez eu não seja
quem gostaria de ser.
Posso seguir em frente
ou me esconder disso,
com o rosto fechado
ou com um sorriso.
No fim, quase tudo é escolha,
ainda que isso mude
conforme minha percepção
e a coragem que tenho
de amar mais
e odiar menos.
No que isso vai dar?
Um dia veremos.
16 Pessoas maravilhosas comentaram
Bem reflexivo seu texto, como diz é vivendo que se aprende. Também gostaria de ser algo que não fosse o que sou atualmente, ah se pudesse mudar...
ResponderExcluirGrato meu caro, e é quase sempre injusto dizer que "sempre" podemos mudar, cada um é cada um e só quem ergue o fardo pode dizer se leva ou deixa.
ExcluirAcho que todo mundo pensa que poderia ser um pouco melhor, que a vida poderia ser mais aprazível, mas acredito que cada um, à sua maneira, tenta ser a melhor versão possível de si mesmo. Concordo que é preciso ter coragem para amar mais e odiar menos, nem sempre é fácil.
ResponderExcluirConcordo, e acho que é tanta coisa influenciando que nem sempre conseguimos, mas com o tempo e prática, fica menos pesado :)
ExcluirQue paradoxo que é a vida, não é mesmo? Boa e doce mas ao mesmo tempo difícil e as vezes amarga. Assim como a vida nós não somos apenas uma coisa, estamos sempre em mudança e talvez nunca estaremos satisfeitos com o que somos, mas talvez seja este o combustível para que continuemos em movimento e tendo esperança que em algum momento vai ficar tudo bem...
ResponderExcluirhttps://palavrasmagica-s.blogspot.com/
Concordo, aprender a curtir a busca ajuda a se manter :)
ExcluirGostei bastante desse "bando de palavras". Também tenho uma certa necessidade de colocar pra fora pensamentos e sentimentos, até para entendê-los e lidar melhor com eles. É um hábito antigo, que eu tinha perdido, mas recuperei e tem me feito muito bem. Mas, claro, escrevo só para mim, não me sentiria a vontade para compartilhar. Enfim, seu texto me fez pensar no quanto a vida é feita de opostos, nem tanto lá e nem tanto cá, e viver é se equilibrar, porque tudo que é demais tende a ser ruim. Tudo tem um lado bom e um lado ruim e acho que isso é que torna a vida tão bela e tão complexa.
ResponderExcluirQue bom que gostou :) Ahhh o tal equilíbrio, um dia chego lá rs.
ExcluirGostei! Uma visão bem interessante expressa em prosa poética!
ResponderExcluirMuito grato :)
ExcluirQue poema lindo! Você é um verdadeiro artista das letras! ❤❤❤❤❤❤
ResponderExcluirMuito obrigado pelo elogio meu caro :) <3 <3 <3 <3 <3 <3
ExcluirEu admiro muito quem consegue transformar sentimentos em palavras, ainda mais sendo no formato de poemas ou poesias. Geralmente meus sentimentos saem em um amontoado de palavras que, se eu der sorte, conseguem fazer sentido hehe.
ResponderExcluirHehe, muitas vezes é apenas nossa visão, sempre gostei muito de expressar o que penso e sinto mas sempre achei complicado por n fatores, um deles o mesmo que o seu, mas de um tempo para cá tomei coragem e continuo achando que falta muito para chamar de poesia, por isso criei o Bando de Palavras, mas fico muito feliz com os elogios :)
ExcluirGostei do seu "bando de palavras"... fiquei a pensar em mim a partir das suas linhas e sei, hoje, que sou o resultando de tantos ontens. Uma soma insana. Gosto de quem sou, mas não ouso dizer que não mudaria nada porque eu não sou mais o que era ontem e amanhã se acordar para o dia seguinte, certamente serei outra. Gosto diz "só que sou pétala, espinho, flor. Só que sou fogo, cheiro, tato, plateia e ator. Água, terra, calmaria e fervor. Sou homem-mulher, igual e diferente, de fato. Sou mamífero, sortudo, sortido, mutante, colorido, surpreendente, medroso e estupefato. Sou um ser humano, sou inexato"... tudo junto e misturado. rs
ResponderExcluirbacio
Que bom que gostou, essas "mutações" sempre tornam a vida mais válida e agradável minha cara.
Excluirbacio
Obrigado por dedicar um pouco do seu tempo para estar por aqui!