Esta semana, muitos casos de racismo quase me tiraram da minha busca por paz.
É difícil lidar com esse tipo de mentalidade, mas também é importante reconhecer que o racismo está muito mais enraizado na sociedade e nas nossas próprias mentes do que muitas vezes percebemos.
O preconceito não é apenas algo explícito. Ele também aparece de forma sutil, em ideias, hábitos e até em pensamentos que aprendemos ao longo da vida.
Toda generalização, seja baseada em estatísticas, experiências vividas, leituras, livros, filmes ou séries, tende ao erro e à injustiça. Quando rotulamos grupos inteiros, deixamos de enxergar o indivíduo.
Eu poderia despejar ódio, escrever mil linhas de críticas duras contra racistas.
Mas isso, de certa forma, me colocaria em contradição.
Em algum momento da vida, em alguma atitude ou pensamento, posso ter reproduzido algo parecido sem perceber. E reconhecer isso não diminui a luta, pelo contrário, torna ela mais consciente.
Atacar não resolve.
O que realmente pode gerar mudança é a união, a consciência e a responsabilidade.
Combater o racismo exige mais do que revolta. Exige ação, empatia, oportunidade e, principalmente, respeito.
Respeito antes de qualquer tipo de piedade.
Porque piedade pode colocar alguém acima do outro, enquanto o respeito coloca lado a lado.
Quando a poeira baixa e a revolta diminui, conseguimos enxergar melhor.
E é nesse momento que a reflexão se torna mais forte do que a reação.
Mais do que respostas impulsivas, precisamos de consciência.
Mais do que confronto, precisamos de transformação.
Racismo, resistência e igualdade
um bando de palavras sobre luta e respeito
Ah, meu amigo,
como é dura sua luta.
Seu povo foi vendido e explorado,
sem direito nem de chorar.
Hoje, os que ainda tentam oprimir,
no máximo pagam uma leve multa.
Mas acredite,
o pior castigo para eles
mora em um olhar resiliente.
Seja forte como sempre foi.
Siga cantando e dançando.
E, se não quiser,
não o faça.
Você é aquilo que quiser ser.
Independentemente
do quanto alguns se agradem
em te ver sofrer.
Eles invejam muito
do que tens no sangue.
Se irritam,
pois muitas de suas forças
vêm daquilo
que eles mesmos causaram.
Tentaram prender almas livres
e forjaram guerreiros.
Antes, só em quilombos e terreiros.
Hoje, em lideranças
e espaços antes nem sequer imaginados.
Um negro presidente
já foi motivo de duras piadas.
Hoje é realidade.
E também um lembrete duro:
muitos ainda não aceitam
teu valor, tua força
e teu talento nato.
São fortes, quase sempre,
porque precisaram ser.
Cantavam e dançavam
mesmo sofrendo,
mesmo perto do fim.
Isso incomoda.
Incomoda quem não tem
aquilo que as próprias maldades
ajudaram a criar.
Jogavam dor,
e vocês a transformavam.
Prendiam e castigavam,
e vocês ainda viviam,
ainda amavam.
Esses bravos guerreiros
foram moldados
por antigos exploradores.
E, mesmo sem intenção de educar,
eles criaram resistência.
Queriam prender,
possuir,
diminuir.
Mas não conseguiram.
E a luta continua.
Só mudou de campo.
Não escute
quem tenta minimizar teu pranto.
Saiba que a alma
não tem cor,
nem nacionalidade.
Mas a pele expressa.
E, para alguns,
isso basta para julgar.
Nem toda cantiga acolhe.
Nem toda ofensa quer ferir.
Muitos apenas reproduzem
o que aprenderam.
Mas, assim como antes,
vocês transformam dor em força.
Só não deixem
que esse ódio
plante raízes no peito.
Porque o medo,
quando ocupa o lugar da bondade,
vira maldade.
Se o ódio transbordar
e vier a vontade de revidar,
meu amigo…
este que escreve
não pode te dar respostas.
Cada um conhece
a própria dor.
Há quem te ame
e não admita.
Há quem te tema
e prefira te evitar.
Mas algo não muda:
guerra é guerra,
dor é dor.
E seguir de pé
ainda é mais forte
do que qualquer confronto.
Porque muitos
dos que tentam te diminuir,
no fundo, te temem.
Temem um mundo
onde igualdade seja real.
Onde os que foram oprimidos
caminhem com dignidade.
Você transforma opressão
em força.
E isso incomoda.
Muitos querem possuir
aquilo que admiram.
Outros rejeitam
o que não conseguem controlar.
Eles não podem mais
te escravizar.
E isso, por si só,
já muda tudo.
Sei que palavras
não curam tudo.
Não sou ingênuo.
A escravidão não acabou.
Ela mudou de forma.
Mas olhe no espelho.
Tenha orgulho.
Se precisar,
grite.
Se expresse.
Mas não deixe
de se amar
e se respeitar,
mesmo quando não fazem isso
por você.
Amor ainda é mais forte
que ódio.
Mesmo quando tentam
te dizer quem você é
ou quem deveria ser.
Hoje, apesar de tudo,
você é livre.
Inclusive para se afastar
de quem tenta ser teu inimigo.
Ame, lute, viva.
E não esqueça:
tua liberdade custou caro.
Custou vidas.
Custou histórias.
Quando a revolta vier forte,
lembre disso.
Suas lágrimas têm peso.
E só quem sente
sabe o caminho
que deve seguir.
Nem sempre será possível amar.
Mas também não é preciso
se tornar aquilo
que te feriu.
A quem te vê menor,
só resta a ignorância.
O valor de um ser
não está na cor.
Não caminhe
com quem só sabe ferir.
E quando a dor
queimar como fogo,
tente encontrar,
dentro de você,
um pouco de luz.
Esse Bando de Palavras
vai para todos
que já foram julgados,
evitados
ou rotulados.
Para aqueles
que enfrentam o racismo,
o preconceito
e a exclusão.
Para os que ainda
não entenderam o outro,
e por isso tentam separar,
diminuir,
afastar.
Muitos desses
precisam mais de consciência
do que de ódio.
Isso não significa esquecer.
Não significa aceitar injustiça.
E nem apagar a dor.
Mas, ainda assim, acredito:
o amor constrói mais
do que o ódio.
E talvez, um dia,
sejamos realmente iguais.
Não apenas por leis,
mas quando o respeito
vier antes delas.




