Autoconhecimento na prática: uma busca que incomoda, mas edifica


Olá, pessoas. Beleza? Eu acredito que o mundo é grande o suficiente para todos e que meu espaço termina onde o seu começa. Que todos temos o direito de convidar e também de pedir para sair, e que quem é atento ao que aceita e a quem permite entrar na própria vida dificilmente precisa expulsar alguém depois. Isso faz parte do nosso autoconhecimento e da forma como construímos nossas relações.

Hoje, nem mesmo a possibilidade de erro me impede de conhecer pessoas e coisas novas. Claro, eu tropecei, tropeço e ainda vou tropeçar, faz parte de estar em movimento. Mas meus erros deixaram de ser juízes, hoje são mais conselheiros. Ainda assim, sigo tentando não repetir os mesmos. Esse conjunto de ideias vem se tornando cada vez mais natural pra mim, mas, como todo ser humano, sou suscetível a distorções no meu crescimento pessoal.

Às vezes é o ego, outras vezes a necessidade, o momento ou simplesmente uma interpretação equivocada no contexto errado. E é aí que mora um perigo: a hipocrisia pode se misturar com falhas humanas, até mesmo com aquelas que fazem parte do aprendizado. O problema é que esse rótulo pesa e, muitas vezes, invalida caminhos que ainda estão em construção só porque não estão “prontos” ou “perfeitos”, principalmente quando são caminhos difíceis dentro da nossa jornada de vida.

Sempre tive minhas convicções e sempre tentei refletir sobre aquilo que eu seguia ou escolhia não seguir. Mesmo com medo de “transgredir o certo” que me ensinaram, eu questionava. Tentava entender se aquilo fazia sentido pra mim, se era sustentável, se era flexível. Por muito tempo, achei que estava escolhendo minhas crenças. Hoje vejo diferente, dentro do meu processo de desenvolvimento pessoal.

“Escolher”, às vezes, é só se agarrar ao que dá quando não conseguimos enxergar outras opções. O medo limita e distorce. Quando algo me sustenta, eu me apego. Quando não serve, abandono e, muitas vezes, passo a rejeitar aquilo. Mas nem sempre o problema está na coisa em si. Às vezes, está na incompatibilidade. Quem não tem mãos pode não conseguir usar uma alça, e isso não torna a alça inútil.

Com o tempo, percebi que muitas pessoas que me mostraram “caminhos” não estavam me enganando, só estavam compartilhando o que sabiam. E isso me fez olhar pra trás com mais cuidado. Quantas coisas eu abandonei injustamente? Quantas eu critiquei, direta ou indiretamente, influenciando outras pessoas? Às vezes, minha experiência negativa dizia mais sobre minhas limitações do que sobre a real utilidade daquilo.

Pensa nisso. Imagine que eu preciso viajar e um amigo me dá um carro, mas eu não sei dirigir. Se alguém pergunta por que não usei o presente, eu posso dizer que não serve, que não funciona, que ele não quis me ajudar. Mas será que é tão simples assim? Talvez ele tenha dado o único carro que tinha. Talvez nunca tenha perguntado se eu dirigia. Talvez eu nunca tenha dito.

Talvez, pra ele, um carro fosse o melhor presente possível, ou talvez ele quisesse ajudar do jeito que sabia. Eu poderia ter conversado, explicado, encontrado uma solução. Mas, naquele momento, parecer ingrato podia ser mais difícil do que resolver o problema. Percebe? Dependendo do ângulo, a mesma situação pode carregar várias verdades, e eu mesmo já enxerguei situações assim de formas completamente diferentes, em fases diferentes da vida.

Hoje, entender que cada pessoa está em um processo me traz mais leveza. Nem sempre eu vou compreender a busca do outro, mas isso não significa que ela não exista. Talvez só revele o quanto minha visão ainda é limitada. Percebo também que muitos dos conflitos que enfrento começam nas minhas próprias interpretações e acabam sendo projetados nos outros.

Se eu não preencho esse espaço com consciência, amor ou compaixão, ele acaba sendo ocupado por cobrança, julgamento ou até ressentimento. Hoje entendo melhor minha responsabilidade pelos meus atos, pelas minhas palavras, pelos meus caminhos e pelos rastros que deixo dentro da minha consciência emocional.

Minha busca, às vezes, incomoda a mim e aos outros. Alguns não entendem, outros não estão buscando nada naquele momento. E tudo bem. Um alpinista vê uma montanha como desafio, um corredor pode ver como obstáculo. Nenhum está errado. Errado é tentar obrigar o outro a seguir o mesmo caminho.

Às vezes, “ajudar” alguém pode ser como dar um cavalo para quem precisa nadar ou um golfinho para quem vive em terra firme. E não faltam pessoas que querem o seu bem, desde que seja do jeito delas. Dessas, hoje eu me afasto, buscando mais equilíbrio emocional.

E algo mudou. A compaixão começou a ocupar o espaço onde antes havia raiva. Sem precisar entender tudo dos outros, eu ganho mais tempo pra entender a mim mesmo. Percebi que buscar estar em paz é mais importante do que estar certo, porque lutar contra quem quer guerra é, muitas vezes, abandonar a própria jornada para alimentar a do outro.

Ganhando ou perdendo, eu já entreguei o que ele queria, e isso, pra mim, deixou de fazer sentido. Hoje entendo que minhas necessidades podem me pressionar, mas é a minha capacidade de aceitar e compreender que constrói quem eu sou dentro do meu processo de evolução pessoal.

Alguns vão chamar isso de fuga, outros de fraqueza, mas pra mim, às vezes, contornar é o que me permite continuar caminhando. Talvez outros sejam fortes o suficiente para ir em linha reta, talvez eu esteja aprendendo a fazer curvas, e tudo bem.

Nesse caminho, me vejo como uma eterna criança. Vejo pessoas deixando de sorrir, de brincar, só para serem aceitas como adultas. Negando ajuda por orgulho, como se precisar fosse um defeito. E eu quero outro caminho.

Quero ser mais paciente, mais consciente e mais leve. Quero ser mais eu e permitir que os outros sejam mais eles. Quero me afastar, com respeito, daquilo que não me faz bem. Quero assumir minhas limitações antes de cobrar as dos outros.

Quero agradecer mais e reconhecer mais. Entender o que eu quero antes que a necessidade me empurre para qualquer direção. Quero aprender a ser antes de ter. E não julgar quem tem só porque eu ainda não tenho.

Quero viver com mais amor, mas sem que o meu amor precise esmagar o de ninguém. Quero viver mais e, aos poucos, ter menos medo de não viver.

E é isso, pessoal. Espero que tenham gostado. Esse texto é só um recorte da minha caminhada, da minha forma de ver as coisas hoje, dentro do meu processo de autoconhecimento.

E, sendo bem honesto, isso tudo ainda vai mudar. Provavelmente vou errar muito mais do que acertar, porque faz parte do nosso crescimento pessoal e da forma como a gente aprende com a vida.

Mas, hoje, cada dia que acordo e ainda posso seguir caminhando já é uma oportunidade. Uma nova chance de fazer diferente, de aprender mais e de continuar evoluindo.

Tento não atrapalhar o caminho de ninguém e gosto de acreditar que a intenção por trás dos meus passos importa. Isso, pra mim, já faz parte de viver com mais consciência e respeito.

Curiosamente, tenho percebido algo interessante. Muitas vezes, quando me desvio para não causar mal, acabo encontrando caminhos melhores. Quase como se evitar ferir também abrisse espaço para algo mais leve, mais alinhado e com mais equilíbrio emocional.

Muito grato pela visita. Fiquem bem 🙂



13 Pessoas maravilhosas comentaram

  1. Oi Dani, tudo bem?
    Estava conversando essa semana com uma amiga a respeito dos nossos lugares...Cada um tem o seu lugar, não há necessidade de forjar ou expulsar alguém...Mas as pessoas estão desaprendendo a olhar e a ouvir, querer apenas falar...
    Nós estamos em um eterno vai e vem e é preciso saber errar, saber esperar, por que o resto a gente já sabe, todos queremos ganhar, mas, para um ganhar as vezes (mas não necessariamente) alguém precisa perder...
    Aprender um ciclo...Hoje aprendo, amanhã ensino...
    Abraços

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    1. Tudo Ale, espero que com você também :) Um ciclo saudável, mas que nem todos conseguem se alinhar.

      Abraços

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  2. Eu acho que tentar compreender pontos de vista alheios sem julgamentos é uma forma de evolução pessoal. Cada um tem a sua verdade e o que pode ser entendido como algo ruim por alguns pode não ser para outros, por isso é tão importante saber ouvir o que as pessoas têm a dizer.

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    1. Concordo, esse aprendizado é fundamental para a vida coletiva.

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  3. Olá meu caro,eu gosto da leveza que alimento cá dentro. Quando olho à minha volta, eu tenho consciência de que o universo conspira a meu favor. Não levo a vida demasiado a sério e tenho tempo para rir e chorar, respirar fundo e beber café. Mantenho ao meu lado apenas os que somam e acrescentam a minha realidade. Os que não ficam é porque não era para ser e o universo faz a sua parte e eu a minha. A minha verdadeira riqueza está naqueles com quem o mio cuore pode contar.
    Bacio

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    1. Leveza liberta e deixa os outros livres, uma bela forma de levar a caminhada minha cara.

      Bacio

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  4. "Um alpinista vê possibilidade onde um corredor vê um bloqueio e nenhum deles está errado, só o que tentar obrigar o outro a fazer o que lhe serve", gente, isso falou comigo de tal forma... Isso me fez relembrar que perspectiva e respeito são tudo, e a empatia é o que une os dois. Já perdi e já deixei muita gente ir embora por esquecer desse pequeno fato, mas, como você, estou sempre aprendendo, e essa foi a maior lição que eu tirei das coisas. Parabéns pelo texto ♥

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    1. Muito grato pelo elogio, essa junção perspectiva, respeito e empatia traz uma liberdade em mão dupla libertadora, pena que alguns danos são necessários para entender bem, mas nada como um dia após o outro <3

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  5. É muito louco como nossa história é sempre feita de "se", né... Alguns podem ser perigosos, mas muitos outros são tão importantes. Essa história que você propôs do carro prova isso em vários nível, SE a gente se colocar no lugar do outro e buscar as diversas ramificações de uma mesma história, nenhuma boa ação será em vão - que é o que deve ser feito.

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    1. Concordo, acho que quando o bem é a busca, gratidão e perdão costumam aparecer no caminho cedo ou tarde, e geralmente juntos :)

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  6. Oiii! Muito boas reflexões acerca da sua caminhada! Tenho estado numa fase de ressigficar a minha vida,e o meu caminhar, e seus textos conversam comigo! A vida não é fácil, é única, e a gente precisa estar o tempo inteiro alertas às mudanças,intrínsecas e extrínsecas em nossa volta. Abraços!

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    1. Oiii! Muito grato minha cara. Isso é importante, nem sempre "tranquilo", mas com atenção e amor, no fim tudo dará certo :)
      Abraços!

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  7. Nossa amei as reflexões sobre sua caminhada. Me fez questionar muito. Parabéns pelo post ! :)

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