Equação salvadora, como mudei minha forma de pensar e reagir diante das situações do dia a dia.

Reflexão sobre comportamento humano, sociedade e padrões de “bondade”

Olá, pessoas aqui é o Dani, beleza?

Sempre fui do tipo “falso calmo”, alguém que cresceu ouvindo que não podia explodir ou demonstrar emoções fortes. No entanto, quase nunca recebi orientação sobre como lidar com isso de forma saudável. Diziam apenas que eu precisava ser uma boa pessoa, mas com o tempo comecei a perceber como a sociedade tenta moldar esse conceito de bondade.

Sinceramente, muitos desses padrões sociais parecem mais voltados a manter ciclos sociais funcionando do que realmente promover felicidade e bem-estar emocional. No fundo, acredito que pessoas felizes constroem uma sociedade melhor ou, pelo menos, menos nociva.

Quando analisamos mais profundamente o comportamento humano, percebemos como somos constantemente moldados por regras sociais, expectativas e padrões que nem sempre fazem sentido para todos.

Quando paro para observar a sociedade, fica difícil ignorar um ponto importante: frequentemente somos cobrados por atitudes que nem sempre são praticadas por quem cobra. E isso nem sempre é pura hipocrisia. Existem situações mais complexas, como no caso de uma pessoa com dependência alcoólica, por exemplo, que pode alertar sobre os danos do álcool e incentivar outras pessoas a não beberem, mesmo ainda enfrentando suas próprias dificuldades.

Isso mostra como o comportamento humano não é simples e não pode ser reduzido a julgamentos rápidos.

O problema começa quando essa visão individual se transforma em uma regra universal. Quando alguém passa a acreditar que todos devem agir da mesma forma, ou que qualquer pessoa que foge desse padrão está errada.

Na minha visão, generalizar comportamentos humanos quase sempre é um erro. Essas “cartilhas” do que é certo, perfeito ou ideal tendem a simplificar algo extremamente complexo. No fim, isso pode gerar julgamentos injustos e até uma visão distorcida sobre o que é ser uma boa pessoa na sociedade.

Esses padrões sociais sobre bondade, comportamento e moralidade muitas vezes não refletem a realidade individual de cada pessoa. Entender isso é importante para desenvolver mais consciência, empatia e menos julgamento.


   

A equação da consciência: percepção, pensamento e sentimento

Recentemente entendi uma “equação da consciência” que, para mim, tem sido quase salvadora:

  1. percebo (vejo, leio, escuto…)
  2. penso
  3. sinto

Essa ideia fez ainda mais sentido depois de assistir a uma palestra do Sadhguru. Não lembro exatamente as palavras, mas a mensagem era mais ou menos assim: quando alguém me tira do sério com uma provocação ou quando uma preocupação que existe apenas na minha mente me abala, na verdade fui eu quem entregou a chave. Eu permiti aquilo entrar.

Isso me fez refletir profundamente sobre autoconsciência emocional e responsabilidade interna.

Passei muito tempo tentando mudar minha percepção, o jeito de ver, ouvir e interpretar as coisas. Mas isso não funcionava. Esse é o passo 1 da equação.

Depois tentei pular direto para o passo 3, não sentir, reprimir emoções. Também não deu certo. Sempre fui uma pessoa intensa e tentar conter o que eu sentia só me quebrava por dentro.

O problema é que eu nunca parei para pensar sobre como eu penso. E a forma como eu pensava acabava amplificando tudo o que eu sentia.

E nisso tudo, onde ficava o eu?

Para mim, o passo 2, o pensamento, virou a ponte. É ali que consigo agir com mais consciência.

Eu não controlo totalmente o que percebo nem o que sinto, mas posso trabalhar o que penso. E isso muda completamente a forma como vivo minhas emoções.

Esse processo exige prática. Muita prática.

Tenho utilizado ferramentas como Programação Neurolinguística (PNL), questionando padrões mentais e tentando quebrar paradigmas. E sinceramente, às vezes dói. Dói mesmo. Existem momentos em que parece que estou me quebrando por dentro.

Durante esse processo surgem pensamentos pesados como ingrato, irresponsável e egoísta. Mas comecei a perceber que muitos desses rótulos mentais são mais limitadores do que educativos.

Se eles já me machucam, o que eu tenho a perder ao questioná-los?

Também percebi que sociedade, religião e até outras pessoas acabam implantando certos limites internos. Alguns fazem sentido, principalmente quando nossas ações afetam outras pessoas. Esses eu ainda respeito e mantenho. Mas quando não afetam ninguém, comecei a sentir vontade de remover esses limites um por um.

Um exemplo simples do dia a dia é quando estou na fila do caixa, chega minha vez e o atendente é grosso, com cara fechada. Antes meu pensamento era eu não mereço isso, não fiz nada pra ele. Hoje penso diferente: eu realmente sei como foi o dia dessa pessoa?

Isso não justifica a grosseria, mas muda a forma como interpreto a situação. Talvez não seja sobre mim. Talvez aquela pessoa nem esteja realmente me vendo como indivíduo naquele momento. E eu sigo meu caminho sem carregar aquilo comigo.

Antes eu absorvia esse tipo de energia. Hoje entendo que quanto mais alimento um pensamento, mais forte ele fica e mais intenso será o sentimento.

Outra mudança importante foi em relação a discussões. Política, religião e questões sociais são temas que até gosto de conversar, mas não gosto de conflito vazio. Quando percebo que a conversa não gera reflexão nem solução, apenas disputa de ego, eu simplesmente me afasto.

Prefiro ter opiniões flexíveis, que não me aprisionem nem impeçam outras pessoas de terem as delas. Não sou o centro do mundo. Não sou melhor nem pior que ninguém. Mas sou diferente e quanto mais tento negar isso, mais me adoeço.

No fim, muitos rótulos existem justamente para evitar o diferente. Alguns fazem sentido, outros nem tanto.

E aí surge uma reflexão difícil: quantas vezes, achando que estou sendo oprimido, acabo me tornando opressor?

Seja através de chantagem emocional, seja pelo vitimismo.

Por isso comecei a me perguntar o que me faz seguir e o que estou disposto a ser ou não ser para viver o que quero.

Pensar sobre isso tem me deixado mais calmo, mais consciente e menos rígido comigo mesmo e com os outros.

Hoje entendo que talvez eu não consiga controlar tudo o que percebo nem tudo o que sinto. Mas o que eu penso, isso eu posso trabalhar.

E esse tem sido um processo intenso, mas ao mesmo tempo maravilhoso.


A vida passa rápido, a mente é complexa e a busca por leveza

A vida passa muito rápido e eu ainda quero viver uns 200 anos 😅. No meio disso tudo, julgar, cobrar, parecer algo e ser aceito exige uma energia e um tempo que, sinceramente, nem sei se tenho mais.

Ficar identificando cada paradigma que me afeta, muitas vezes só para evitar julgamentos externos, é cansativo. Hoje, prefiro ser do que parecer.

Das pessoas ao meu redor, quase sempre consigo me afastar ou simplesmente ignorar. Mas a minha mente… ah, essa é mais complicada. Quando ela resolve atacar, ela sabe exatamente onde dói.

Por isso, hoje tento fazer uma espécie de “política de boa vizinhança” com ela, mais do que com os outros inclusive. E mudar essa prioridade tem sido libertador dentro do meu processo de autoconhecimento e equilíbrio emocional.

Também acho importante reforçar que isso aqui é só a minha forma de ver as coisas, uma opinião. Não estou dizendo que tudo o que incomoda deve ser eliminado, nem que limitações são sempre ruins. Ninguém consegue ser 100% autêntico em todos os lugares o tempo todo, nem viver apenas fazendo o que quer.

Existem limites, e cada pessoa vai encontrar os seus dentro da própria jornada.

Esse texto é só um recorte de como eu tenho lidado com isso. Aos poucos, vou percebendo que como e quanto eu penso sobre as coisas define como e quanto eu sinto. E é aí que está a minha busca.

Quero mais serenidade, mais paz e mais felicidade. E percebo que, quando estou mais alinhado com isso, penso com mais clareza e consigo inclusive respeitar melhor o caminho dos outros, sem interferir tanto.

Hoje consigo enxergar com mais facilidade quando a minha busca invade o espaço de alguém ou atrapalha a jornada de outra pessoa. E, curiosamente, isso tem me tornado um ser humano mais leve e mais feliz 🙂

E é isso, pessoal. Espero que esse texto tenha feito sentido pra você de alguma forma. Obrigado pela visita e se cuida.

Imagens via : Pixabay.

20 Pessoas maravilhosas comentaram

  1. Cada um age de uma forma, somos diferentes e as pessoas que realmente se importam conosco irão aceitar. Eu também sou do tipo em que a paciência vai até o capítulo 2 e não tem como mudar, nem se quisesse, pois é a minha natureza. Então, te entendo. Abraço.

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  2. Essa sua "equação" é muito válida. Esse passo do "pensar" é fundamental, eu acho que tanto para refletirmos sobre o que vemos/sentimos/ouvimos quanto para entendermos porque nos sentimos como nos sentimos. Aprendi um pouco sobre isso com uma psicologa e me ajudou muito a lidar com minhas crises de ansiedade. Ótimo post!

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    1. Obrigado :) Compartilho isso pois fez muita diferença para mim também.

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  3. Penso como você, antes eu também me preocupava com a reação negativa ou positiva das pessoas, hoje vejo que não faz bem ficar absorvendo coisas que não acrescentam em nada, problemas que não são meus. A vida passa rápido e temos que tentar ver sempre o lado bom, não perder tempo com questões que não agregam nada.

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    1. Valiosa constatação, mais difícil de executar do que entender rs, mas um dia de cada vez :)

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  4. Depois que entendemos tudo isso e conseguimos colocar em prática, a vida até fica mais leve.
    Também tinha muito disso de passar o dia todo mal por causa de uma grosseria, hoje em dia tento pensar no que levou a pessoa aquele ponto e me sentir menos culpada por ter recebido aquele tratamento.

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  5. Menino as pessoas cobram muito mas, fazem pouco...Esperam um determinado comportamento, mas não fazem por merecer... Ultimamente tenho adotado cara de paisagem, não vale a pena me estressar...
    Abraços

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    1. Kkkk ... a boa e velha cara de paisagem, sempre uma boa opção.

      Abraços

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  6. Interessante. Confesso que sou bem explosiva e nunca me importei muito com o que as pessoas pensam disso - Por um lado é bom, pq eu explodo, mando tudo às favas e 5 minutos depois estou de boa. Por outro lado, algumas pessoas tendem a não curtir muito o meu jeito e se afastar. Enfim...Sigamos!
    Abraços!

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  7. Muitas pessoas que eu conheço passam pela mesma coisa que você. Tenho que confessar que já me vi nessas situações também. Amo os seus posts pessoais, é sempre bom ver que você gosta de compartilhar um pedacinho de você no seu blog ❤❤❤❤❤

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    1. Muito grato :) Acho justo falar sobre coisas que de alguma forma possam ser úteis, e é sempre bom saber que gostam <3

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  8. Eu sou uma pessoa muito calam. Tipo, me tirar do sério é realmente muito difícil. Antes eu achava isso algo maravilhoso, mas hoje vejo que pode ser nocivo me privar de sentir certas coisas, ir guardando sensações e sentimentos. Estou tentando mudar isso, pois, como minha própria psicóloga disse, eu sou muito consciente de tudo que acontece comigo... só tenho que começar a praticar a organização de tudo hehe.
    O pior é que conheço muita gente que passa pelas mesmo as coisas que você e seguem vivendo de maneira muito nociva. Sua reflexão foi ótima!

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    1. Muito obrigado :) Acho válido deixar relatos de opções que tem me salvado literalmente, e ser calmo é realmente uma virtude que busco, a calma consciente é admirável.

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  9. Eu confesso que eu nunca tive essa questão de ser aceita, então, sempre me intrigou pessoas que buscam a aceitação dos outros, ao agir, pensar. Eu sempre soube que não seria igual e que iria na contramão. E passou a ser divertido observar o cenário e aguardar o outro se posicionar, apenas para estar no lado oposto. Depois de algum tempo, essa brincadeira perdeu a graça e eu passei apenas a ser uma pessoa quieta, que ouve, observa e escreve.
    Mas, quando me dou ao luxo de conviver com pessoas, me fantasio com o melhor dos sorrisos, escolho palavras simples e pronto. Desarmo qualquer estado estranho ou desconfortável que encontro. As pessoas estão tão estranhas que quando se deparam com um mísero bom dia, se espantam. rs

    bacio

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    1. Que bom para você minha cara, eu já tenho consciência sobre os "jogos de aceitação' mas um segundo de descuido e já estou competindo sem notar rs.

      bacio

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  10. Eu mesma preciso colocar isso em prática. As pessoas me dizem que sou bem paciente, embora nem sempre eu seja. A questão maior é a que tu comentou: saber o que falar, na hora pra evitar brigas.

    Obrigada pela lição! ♡

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    1. Pensar nessas coisas liberta, e eu é que agradeço pela visita :)

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